Recentemente, comecei a ler "O Deserto dos Tártaros" do Dino Buzzati. No livro, o jovem oficial Giovanni Drogo é designado para a Fortaleza Bastiani, um lugar isolado, olhando para um deserto onde, um dia, talvez, surja um grande inimigo. A promessa silenciosa é: “quando a grande guerra chegar, aí sim a minha vida vai começar de verdade”. E é nesse “aí sim” que ele vai se perdendo.
Ele espera uma missão heroica, um momento épico que justifique todos os sacrifícios, todas as renúncias, toda a solidão. Enquanto isso, a vida real, feita de pequenos gestos, afetos possíveis, escolhas concretas, vai sendo deixada para depois. Quando ele percebe, décadas se passaram, e o grande acontecimento nunca chegou do jeito que ele imaginava.
A grande crueldade não é o deserto em si, mas a espera. A suspensão da vida em nome de um futuro idealizado. Drogo vai se acostumando com a ideia de que sua história está sempre “por começar”. E é assim que desperdiça o que já estava ali.
Esse livro escancara algo desconfortável: muitas vezes, a gente faz a mesma coisa. Adia decisões, afetos, mudanças, alegrias simples, sempre esperando um marco grandioso — a promoção, o relacionamento perfeito, o momento financeiro ideal, o “ano certo” para, finalmente, viver como gostaria.
Enquanto isso, os dias comuns vão passando, silenciosos. E é nesses dias, não nos grandes feitos, que a nossa vida de fato acontece.
A pergunta que fica ecoando depois de "O Deserto dos Tártaros" é dura, mas necessária:
o que você está deixando de viver hoje porque está esperando algo enorme, que talvez nunca venha?
Talvez o ponto não seja desistir de coisas grandes, mas parar de tratar o presente como um simples corredor de espera. Porque o risco é chegar ao fim, como Drogo, e perceber que o grande momento nunca foi um evento lá fora, e sim a possibilidade de estar inteiro naquilo que já existia aqui dentro, agora. Viver o momento presente sem viver no piloto automático é um grande desafio.
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Com carinho,
Thalita Gonçalves.
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