E se você parasse por alguns minutos para contemplar a sua volta?

Há alguns dias assisti a um vídeo da atriz Denise Fraga que achei muito interessante. Nele, ela convida pessoas que estão andando na rua, no meio da correria do dia, para sentarem em um banco e simplesmente observarem a sua volta. Olhar o céu. Reparar no formato das nuvens. Descobrir o que existe no caminho que você percorre todos os dias e nunca parou para notar.

A palavra contemplar significa observar de maneira profunda, com atenção plena. E para que isso aconteça, você precisa estar completamente presente naquele momento, não ontem, não amanhã, não na lista de tarefas que ainda falta cumprir. Só agora.

Talvez você já não tenha ideia de quando foi a última vez que fez isso. Que parou, sem pressa, sem celular na mão, só para sentir o vento, ouvir os sons ao redor, perceber as cores do céu ou a textura de uma folha caindo. Vivemos em um ritmo que nos afasta de nós mesmos: acordamos já pensando nas obrigações do dia, atravessamos as ruas no piloto automático, chegamos em casa exaustos sem saber exatamente com o quê gastamos tanta energia.

E é curioso perceber que essa pressa não está só nas nossas pernas, ela mora também dentro de nós. Quantas vezes você atravessa os próprios sentimentos correndo, sem parar para contemplá-los também? Sem se perguntar o que essa tristeza quer te dizer, ou de onde vem aquela irritação repentina, ou por que certos dias parecem mais pesados que outros.

Contemplar a sua volta pode ser o primeiro passo para contemplar a si mesmo. Quando você treina o olhar para reparar nos detalhes do mundo externo, também vai ficando mais sensível aos detalhes do seu mundo interno. É como afinar um instrumento: primeiro você aprende a escutar o silêncio, depois consegue escutar as notas mais sutis.

Um convite simples

Você não precisa de muito tempo para começar. Pode ser em uma pausa do trabalho, no caminho para buscar os filhos na escola, sentado em uma praça perto de casa. A proposta é simples:

Escolha um lugar. Pode ser dentro ou fora de casa. Sente-se, respire fundo algumas vezes e, por três minutos, apenas observe. Sem julgar o que vê, sem categorizar, sem pensar no que fazer a seguir. Só observe.

Depois, se quiser, pegue um papel e caneta e complete estas frases:

Hoje eu percebi...

Um detalhe que nunca tinha notado foi...

Enquanto observava, o que veio à minha mente foi...

Se eu olhasse para dentro de mim com essa mesma atenção, eu perceberia...

Não existe resposta certa. O exercício não é sobre produzir um texto bonito, é sobre se permitir parar. E, muitas vezes, é justamente na pausa e não na pressa que encontramos as respostas que andávamos procurando.

Então, fica o convite: e se você parasse, ainda hoje, só por alguns minutos, para contemplar a sua volta?

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Com carinho,
Thalita Gonçalves.

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